17 de mar de 2011

Não espere o amanhã.

Já havia se passado uma hora do horário de término das aulas, mas estavam George e seus amigos atrás de uma fábrica abandonada fumando, observava Karen, entre todos os outros, ela era a mais quieta, mais pensativa, sempre que a olhava, lembrava-se de quando crianças que eram sempre os dois, unidos, quanto mais cresciam, mais Karen se afastara dele, e quanto mais a perdia, mais percebia que a amava, sabia que havia algo de errado com ela, sempre quis saber, mas não sabia como, queria ajuda-la em tudo que ela precisasse, mas sempre travava ao tentar conversar com ela, ele via ali, uma garota que não se preocupava com suas roupas, cabelos negros, e olhos claros, a pele era mal cuidada, mas ele sonhava em um dia poder senti-la. Aproximou-se de Karen, hoje ela estava mais preocupada do que o normal, por mais que ninguém percebesse George sempre a observava.
- Hey Karen, está tudo bem com você? – A voz saiu meio tremida, mas ao menos conseguiu conversar com ela.
- Ah... Sim, está tudo bem, deve ser o efeito do pó. – Karen solta um riso, mas George sabia que era forçado. – Tenho de ir, meus pais devem estar preocupados. – Karen lhe solta um riso, George se admira com as covas que formam em seu rosto. Não pensou duas vezes, esperou ela sair, e a seguiu, ela andava com passos curtos, e de cabeça baixa, chegando a sua rua, ela joga o cigarro mal terminado em uma poça, e para no mesmo instante observando a poça, George não entendera, mas parou atrás de um poste ali presente, e fingiu ler o anúncio de festa que estava colado no mesmo, Karen observa mais a frente, e vê seu pai chegando a sua casa, e começa a andar, George a segue, com cuidado, a olha entrando em casa, e fica ali parado, por alguns instantes, lembrando de todo o tempo que passaram juntos, do tempo que andavam de bicicleta, dos piqueniques, do dia em que ele encostara em sua mão sem querer, aquele dia sim, foi um sonho, mas Karen se distanciou, sem mais nem menos. Foi andando até a sua casa, lembrando-se dos bons momentos, e em algo que poderia os unir novamente. Chega a casa, e toma um banho, tentando aliviar a dor que sentia, mas a dor ficava cada vez mais intensa, queria Karen ao seu lado, custe o que custar, desliga o chuveiro, e escuta o telefone tocar, e logo em seguida sua mãe, com voz de preocupação, George se veste o mais rápido possível, e vai ouvir sua mãe lhe dar a notícia.
- É Karen filho, aquela sua amiga, lembra? Está no hospital. – George não escuta o que mais sua mãe tinha a dizer, e sai às pressas de casa, corre pelas ruas, como se aquele dia era o último dia de sua vida, sabia que algo de errado havia com ela, chega ao hospital, e pôde ver a mãe de Karen aos prantos, ele corre até ela.
- O que houve com ela? – George estava desesperado.
- O pai dela, eu nunca consegui o segurar, ele sempre... ele sempre... – George a entendeu, e fez um sinal para ela parar. – Hoje foi de mais, ele chegou muito bêbado, e ela parecia feliz, pela primeira vez, ele... ele fez coisas horríveis, George, sempre fez, eu não pude fazer nada, eu não podia... – Ela voltou aos prantos, George viu o quarto em que ela estava e segue as pressas, viu Karen no pior estado, estava com a cabeça enfaixada, olho roxo, e corte na boca, arranhões no corpo, cheia de machucados.
- Karen... – Não soube o que dizer, uma lágrima foi visível escorrer pelo seu rosto, Karen abre os olhos, e o olha, as lágrimas surgiram em seus olhos, quase pedindo socorro. – Eu te amo tanto... – E foi tudo o que conseguiu dizer a ela.
- George... – Ela fazia forças para falar. George pega a sua mão. – Desde pequena eu sabia que era você, sempre foi você. – Ela fechou os olhos por alguns segundos, George sentiu a força que ela fazia na sua mão, e abriu os olhos, as lágrimas escorriam sobre o seu rosto. – Eu sempre o amarei... – Então ela fecha os olhos novamente, alivia a força que fazia na mão dele, e George escutou o apito constante vindo do aparelho que media seu coração. As pessoas que estavam no hospital conseguiram ouvir o grito de George ecoar pelos corredores.

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